PARÓDIA DO EGO e o DIVINO EM NÓS

Leia a seguir esta paródia do que acontece no dia-a-dia do ser humano, escravizado pelo egoísmo tirânico, do qual somos robôs inconscientes, fazendo tudo que ele quer.

O Ego personalidade (inimigo; “Teitan”, em grego, quer dizer satanás, oposto ao Eu interior, ao homem interno e aos princípios do Cristo)

Chame-me como quiser. Alguns me chamam de diabo, satanás, inimigo, dragão, serpente, anticristo, pouco importa, é despeito da oposição.

O importante é que este mundo é meu, foi construído por meus adeptos. Estou dentro de cada um de vocês, assim como o OUTRO (o Filho Divino de Deus) também está. Dividimos o mesmo corpo, mas estou sempre no comando e, pela força da necessidade, sofrimento, desespero e ignorância, todos cedem aos meus intentos. Se quiser, também pode me chamar de oportunista. O certo é que todos dependem de mim, pois não deixo ninguém pensar sozinho. Mantenho-o sempre preocupado. Todos vivem envolvidos em uma nuvem que os impede de ver a luz do OUTRO e se mantêm seguindo os pensamentos comuns da massa (maioria), pensando coletivamente. Assim, livram-se das críticas e o medo as impede de agir, pensar e ser diferente.

Envolvo-os sempre em um corre-corre, em busca do ter mais, ansiando pelo dinheiro como solução dos problemas, pensando em trabalhar mais para vestir-se melhor, comer, possuir bens, pagar conta, se divertir etc. Ou seja, mortos para o mundo do OUTRO. Faço-os ver o dinheiro como a única alternativa de conseguir o que deseja e se ver livre das preocupações.

Não esqueça: estou sempre alerta para tirar você do sufoco, só a fim de não perdê-lo como súdito para o OUTRO. Assim, mantenho-o iludido, pensando e agradecendo a um Deus exterior. Enquanto isso, vou tirando proveitos.

Notem que eu não estou querendo honras para mim, ao contrário, oculto o meu nome e tudo consigo em nome do OUTRO, a fim de manter o servo. Desempenho funções que fazem o indivíduo pensar que é do Deus que ele conhece e que está nos céus fora dele. E assim mantenho o mundo.

Ainda bem que ele não conhece o OUTRO que divide o espaço comigo, que é o Deus interno. Logo, tudo faço para que o indivíduo nunca descubra e nem volte a sua atenção para esse Deus interno, a minha contraparte, porque, senão, perco meu servo.

Aliás, como eu conduzo, mantendo o indivíduo com a atenção voltada às coisas materiais e aos prazeres, acreditando em um Deus fora dele. Dificilmente o indivíduo pode imaginar que está me servindo, uma vez que disfarço algumas ações benéficas ao indivíduo em nome desse Deus. Claro que é para minha conveniência.

Assim, procuro alimentar essa história que as religiões implantaram na humanidade, de muito bom gosto, de um Deus externo, lá no céu, impondo medo nas pessoas. Isso ajuda as pessoas a não pensarem individualmente, ficando presas às consciências da maioria.

Quando percebo alguém querendo “engrossar” o pescoço ou se rebelar contra mim, eu lhe engano dando um pouco de prazeres materiais. Assim, ele esquece do que pretendia. Ou se noto que ele ousa pensar um pouco diferente, escolho-o para ser meu representante, dando-lhe algum posto de domínio para aliciar adeptos para o meu reino, colocando-o como um líder de religião, seitas etc., induzindo-o a criar uma nova igreja. Observe que eu uso a figura do Deus criado pelos meus adeptos, para tirar proveito e arrebanhar os não pensantes. Enquanto isso, vou mantendo o indivíduo me servindo e me alimentando com suas energias de tensão constante, medo, insegurança, desejos, inveja, melhora de vida, insatisfação e de querer ter sempre mais. Nunca deixo-o satisfeito com nada. Imagine se vou deixar o indivíduo satisfeito! Corro o risco de ele descobrir o OUTRO.

Imagine o que faço. É como se eu pegasse um cachorro e uma salsicha na ponta de uma vara e amarrasse a vara com a salsicha a uma certa distância do próprio cachorro. O que acontece? O cachorro vai estar sempre correndo para pegar a salsicha à sua frente, presa na vara. Será que ele consegue? Quando percebo que o sujeito está cansado, querendo desistir e insatisfeito, induzo-o a uma festa, com muita bebida e amigos, uma ida a um barzinho, um caso extraconjugal ou uma cantada do sexo oposto. Aliás, essa é uma arma que uso constantemente, pois é uma isca fácil para pegar o indivíduo. Também posso fisgá-lo através de alguma coisa que seja de seu interesse no momento, só para enganá-lo e, dessa forma, vou tapeando o bobo, conduzindo a vida de cada um e de toda a humanidade. Afinal, é assim que eles pensam que é o sentido da vida.

Tem alguns momentos que eu até alivio um pouco o sofrimento, para que o indivíduo respire. Quando eu tomo essa atitude, o que ele faz? Agradece ao Deus, não acho ruim, afinal, ele agradece a Deus, mas continua me servindo. Ainda bem que existe esse Deus externo lá no céu, criado pelos meus fieis representantes, que mantém o indivíduo na ilusão e me ajuda a manter meus súditos e o meu reino.

Às vezes, quando estão muito inquietos, confusos, conduzo a uma religião, a uma seita, a uma igreja qualquer, com a intenção de dar uma alimentada na ilusão e, assim, evitar que ele pense ou aquiete-se, porque pode se questionar e descobrir o VERDADEIRO SENTIDO DA VIDA, que é voltar-se para dentro de si mesmo, no silêncio, e encontrar-se com o OUTRO. Por isso, procuro manter o indivíduo em constante barulho, pois o OUTRO é o oposto de mim. Ele se mantém em eterno silêncio e, por isso, eu levo vantagens, porque até a sua própria voz é muito baixa e só se o indivíduo estiver em absoluto silêncio por algum tempo, poderá ouvir a sua voz. Mas isso acho difícil acontecer, porque estou atento para que não aconteça; estou sempre incomodando, com uma coceira, um mal-estar, um desejo, toda vez que ele tenta silenciar-se.

Se acontecer de o indivíduo ter esse contato com o outro, vai me dar muito trabalho, então, terei de arranjar muitas formas de desviar sua atenção e trazê-lo de volta para me servir. Para isso, tento de tudo, mobilizo pessoas para provocar tentações, objetos de desejos etc. Uso até seres desencarnados, para perseguir e iludir o indivíduo. Mando pôr tropeços, sem dó e sem piedade, a fim de fazer o indivíduo se sentir cansado e se colocar com dúvidas e, nessas dúvidas, eu começo a lhe falar dos bens, das vantagens, das viagens, das festas, dos amigos, do dinheiro que está desaparecendo, dos bens e dos amigos que ele está perdendo, das preocupações que ele não tinha antes e que começam a surgir, dos momentos de paz e do bem-estar que ele perdeu quando conquistava o que queria. Faço ele ver que foi e deverá continuar sendo um conquistador. Mostro que a realização é o que dá o sentido da vida, que é conquistar e ser um orgulhoso vencedor.

Só falo assim porque ele contatou o outro e aprendeu a se questionar e já pode entender a linguagem interior. Isso eu fiz com Jesus, quando ele passou pelo Batismo e foi meditar no deserto, onde lhe ofereci todos os reinos do mundo. Lembra-se? E Ele foi resistente, me deu testa. Por isso, Ele viu. Mobilizei o chefe coletivo e, em reunião, decidimos colocar todo um império, ávido de poder e domínio contra o movimento Dele.

Eu não desisto assim fácil. Quanto mais elevado e conectado o indivíduo estiver com o OUTRO, o desafio se torna mais excitante. Adoro disputas, quer tentar? Se você for forte e persistente, eu o deixarei passar para o lado do OUTRO. Assim, posso exercitar mais as minhas armas. Não esqueça: o outro não faz nada, só deixa você se virando sozinho, com uma história de ter fé Nele. Enquanto isso, Ele fica lá quieto, esperando que você vá até Ele em silêncio.

Você é quem decide. Ele é incapaz de me enfrentar. Por isso, estou no domínio e vou mantendo o meu reino com cada um de vocês me servindo. Você notou como sou forte? Percebeu que uso de todas as armas para conseguir o que quero? Inclusive VOCÊ?

 

Assinado: EGO

 

 

Trecho do livro: “O Ego Persona e Instância Psíquica”, em conclusão
Idalino Almeida