Regressão (Artigo)

Artigo de Dr. Idalino Almeida, Psicanalista e Terapeuta de Regressão, publicado na Revista Viver Melhor, em 1997

A regressão propõe uma reconciliação positiva de qualquer problema de saúde com o seu passado. Problemas, como traumas, fobias, angústia, depressão, baixa autoestima, relacionamentos difíceis, doenças psicossomáticas etc.

Veja o caso da novela em que Floriano recorre à regressão no século XIX, para descobrir que a dor inexplicável no braço direito vem de um ferimento em batalha quando era tenente. Cenas como essa, em que o paciente descobre o porquê de uma dor ou doença, são comuns em regressão. Um exemplo é o da pessoa que morreu de derrame cerebral em outra vida. Certamente, ela carrega uma forte sensação de dor de cabeça por toda essa existência. Ou da pessoa que já morreu afogada ter pavor de água e assim por diante. Ora essa memória pode fazer parte do inconsciente coletivo e não sua, mas que está se identificando inconscientemente e atraindo como se fosse registro seu. Porém, isso pouco importa. O mais importante saber é que esses registros estão lhe fazendo mal e que é necessário dissolver essas memórias, para se ver livre dos conflitos.

Vamos a algumas perguntas frequentes:

Pergunta: Todos podem fazer regressão?

Resposta: Sim, desde que justifique uma necessidade para que se abram seus mecanismos de defesa psíquica e o instinto de preservação permita o acesso ao inconsciente.

P: Como pode uma doença que a pessoa sente hoje ser trabalhada em outra vida?

R: Não é que seja trabalhada em outra vida. O registro mental é aflorado aqui e agora e trabalhado terapeuticamente, identificando a causa e catarseando a carga emocional negativa do contexto.

Exemplo: uma senhora que tinha fortes dores nos pés, havia mais de 10 anos, calçava apenas botas ortopédicas com palmilhas especiais e não conseguia dar mais de 3 passos sem sentar-se. Diagnóstico médico: “uma simples deficiência dos nervos com a qual ela tinha que se acostumar a conviver”. Durante algumas vivências de regressão, ela não viu imagens, mas sentiu fortes dores nos pés, como se estivesse sendo torturada. Hoje está curada e feliz.

P: É preciso ser hipnotizado para fazer a regressão?

R: Nem sempre, uma vez que a hipnose é apenas uma forma de indução, assim como inúmeras outras. Em todo caso, o cliente fica sempre lúcido.

P: Quantas sessões são necessárias para se conseguir resolver um problema?

R: Depende do conflito e do nível de abertura e aceitação do cliente. Há pessoas que, na segunda ou terceira consultas, já começam a ter resultados. Outras precisam de várias sessões para vencer as resistências internas, até conseguir acessar a causa e trabalhar terapeuticamente. Portanto, é imprevisível determinar a quantidade de sessões.

P: Eu tenho muita dificuldade de me concentrar; posso fazer regressão?

R: A concentração, sem dúvida, é importante, mas existem técnicas que levam o cliente a chegar à regressão, com os mesmos resultados.

P: Quais os perigos da regressão?

R: Os perigos inexistem, a não ser quando o processo é conduzido por um profissional sem muita experiência, que pode deixar resíduos sem trabalhar, que poderão ficar incomodando, ou mesmo quando o profissional alimenta fantasias, reforçando o autoengano do paciente. Isso sem contar com os mecanismos de defesa, que atuam em qualquer experiência traumática que venha ao palco da consciência, para desestabilizar as estruturas psicológica e emocional.

P: Dormirei enquanto estiver em regressão?

R: Em momento algum você dormirá ou perderá a consciência. Ao contrário. O paciente fica com a consciência mais alerta e aguçada.

P: É necessário fazer alguns exercícios entre as consultas?

R: Todo processo terapêutico não se resume somente ao que acontece em cada sessão, e sim, ao que ocorre entre uma consulta e outra. Às vezes, é interessante deixar uma fita gravada, para ajudar nos relaxamentos e preparar para a próxima sessão.

P: Quanto tempo dura uma sessão?

R: Em torno de 75 minutos. No entanto, quando a pessoa regredida está em um processo catártico regressivo, o ideal é deixar esvaziar todo o conteúdo existente.

P: A regressão resolve todas as doenças?

R: Não a consideramos o processo infalível para a cura de todos os males, mas quando não se chega a uma solução, pelo menos esclarece as origens dos conflitos, abrindo caminho para se buscar outro instrumento de cura ou uma forma consciente de conviver com o problema.

P: Eu preciso acreditar em reencarnação para fazer regressão?

R: Não é necessário. Jung afirma que, quando em estado de relaxamento, temos acesso ao arquivo universal das coisas. Logo, quem não acredita também tem acesso aos arquivos; não importa a pessoa acreditar que é de vidas passadas ou não; o importante é acessar no inconsciente o conteúdo que não está lhe fazendo bem e trabalhá-lo terapeuticamente.